Um Olhar

Agosto 20, 2008

Sinal de que?

Arquivado em: Desabafo — Juliana Gola @ 5:32 pm

ardência na orelha esquerda. e uma vontade de chorar que não se explica. vem e eu sinto medo.

não cai uma lágrima.

Agosto 19, 2008

treinando. (a partir de E.B.)

Arquivado em: Livros, Por aí — Juliana Gola @ 6:19 pm

Isso. Olha desse jeito, retinas esbugalhadas, brilho. Desse jeito, lábios trêmulos sendo mordicados pelos dentes, fome. Não adianta passar os dedos na minha franja, tirá-las dos olhos, acertar atrás da orelha, e olhar com calma. Preste atenção, com os olhos fixos, as mãos prontas e as pernas firmes. Fogo nos olhos. Copiando a raiva com intensidade. Sem estalo, sem beijinho, sem charminho, sem délicatesse. Segure com força. Ganhe com superioridade e se entregue com a presteza de um súdito. Sinta ciúmes, possua. Não, não adianta deitar-se do meu lado e deixar os braços esticados pra fora da cama. Foi-se o tempo. Os seus braços fazem atrito com as minhas pernas. Os seus braços descansam do outro lado do meu corpo, entrelaçando e se encontrando. Não, não adianta seguir os caminhos aprendidos em centenas de repetições. A graça é inusitada. E ela se perde facilmente. Apesar da boa memória, do trabalho que ela faz, da tentativa de reconstituição, do cheiro que a lembrança consegue chegar. Grita, pega pelo cabelo, troca a marcha e sai do automático. Pernas firmes. Olhos esbugalhados. Calor. Não tem fórmula. Tem a fome.

Agosto 18, 2008

Perdeu, perdeu.

Arquivado em: Desabafo — Juliana Gola @ 5:35 pm

Fui de novo ver O filme. de novo e de novo e de novo eu verei. Nome Próprio. E a Leandra. e ontem ela tava na Marilia Gabriela. E ela é linda, ótima, ATRIZ, com todas as letras enormes gritando. Eu amo esse filme. Eu amo esses livros. E eu amo ter insistido e ter visto de novo,  e dessa vez sozinha, em silêncio, quieta, com aquela tela enorme e aquele mundo gigante me abraçando no escuro da sala lá na Augusta.

E só na segunda vez eu entendi. Porque às vezes eu não entendo mesmo. Não sinto o estalo que dá.

CAPACIDADE DE CONFIAR. Foi isso que ele me roubou também. não no confiar nos outros, como eu tinha concluído na primeira vez que assisti, mas em mim mesma. tudo isso que eu tenho feito de mal a mim mesma. tudo isso. TUDO ISSO. simplesmente pela ausência de confiança. Porque eu deixei de acreditar nos acontecimentos. Porque de repente tudo é ficção mesmo. Criada aqui dentro, pertinho, na cabeça. Ela diz isso no filme. e ele devolve. “Você não me inventou uma vez? Reinventa.” Cínico. Idiota. Filho da puta. Eis o que é. Porque ela pediu pra ele dar as mãos e ele não largou-a um só segundo a noite toda. E depois? O que acontece depois? Vira ficção. Imaginação…

E aí vem junto a identificação:

Desde o dia que você sumiu, depois de avisar que estava voltando, que eu não consegui mais confiar em nada do que eu faço. NADA. Você levou junto com o sorriso e o bem-estar que vivíamos a minha confiança. Todinha ela. Porque agora eu não acredito mais no que eu sinto nessas horas. Não acho que sou capaz de mais nada. Me sinto culpada, errada, fraca, insuficiente. Nunca sou capaz de agradar, nunca sou amável, nunca nada. E isso não é um acesso de baixa auto estima ou carência ou sei lá o que. É simplesmente uma constatação do que aconteceu. Você chegou, me mostrou o que era estar feliz com alguém e de repente foi embora. Sem explicações. Sem sentimentos. Nenhum sentimentozinho. Nem falta você sentiu. E agora eu não acho que posso mais. Não acredito mais que posso ser amável. Que posso ter as respostas na ponta da língua como antes. Não consigo sequer entrar nos olhos como antes. Desvio. E preciso ficar perguntando. Comprovando. Cobrando. Porque se aquilo tudo não foi nada. Ou melhor, se aquilo tudo foi nada, se aquilo tudo foi ficção, o que será verdade? o nada. claro. sempre o nada criado sem existir de fato. e eu não consigo mais achar que sou capaz de ser boa o suficiente. nem fazer sorrir.

porque eu ando parecendo uma menina de dez anos implorando proteção.

porque eu pareço ainda mais uma menininha cagona que se esconde embaixo da cama.

porque eu voltei a baixar a cabeça quando ando na rua.

Esse dia.

Arquivado em: Desabafo — Juliana Gola @ 12:49 pm

tem um dia marcado para mudar. tem um dia marcado. um dia que é o pior de todos. que você precisa passar. um dia que você se sente a mais humilhada do planeta. um dia que você concorda com quem diz que só aprendemos assim: se fudendo. tem um dia que até o que segurava todo o resto é ruim, chocho, morno, fraco, chato, chocho, bem chocho. tem um dia preciso. um dia que graças a Deus acabou.

Agosto 13, 2008

O primeiro.

Arquivado em: Pra alguém — Juliana Gola @ 4:16 pm

Ele jogava futebol e ligava todas as noites na rádio pedindo pra tocarem músicas pra mim. Foi meu primeiro namorado. O primeiro que eu gostei e andei de mãos dadas. Depois de um tempo, claro, porque quando nos conhecemos ele tinha namorada. Uma dessas chatas com um sobrenome que me irrita só de lembrar: Máximo. Como alguém pode ter um sobrenome tão prepotente? Mas a gente ficou junto mesmo assim. Ele jogava futebol em quase todo o tempo livre. E eu torcia. Torcia muito, de me sentir realmente o máximo de estar com ele. E de ganhar até gols dedicados a mim nos intervalos das aulas. Sim, ele também jogava bola nos intervalos e durante as aulas. Tempo livre é igual a dois ou três neguinhos e uma bola na quadra. Qualquer quadra, campo, espaço com traves ou tijolos ou qualquer coisa que remeta às traves. E jogava muito. O melhor que eu já vi. Se ele não jogasse talvez eu nem tivesse me apaixonado. E ele me mandava músicas todas as noites. E eu esperava ansiosa ao lado da minha mãe. O locutor dizia: a próxima música o Danilo dedica a sua namorada Juliana. Com aquela voz de locutor de programa do meio dia e da meia noite. E eu amava. Amava. Lá no interior. Lá na minha casa. Lá perto de tudo que é importante, mas que às vezes não me dou conta. E hoje é aniversário dele. Nunca esqueci. Nunca esqueci do cheiro também. E o jeito como ele me abraçava enquanto eu conversava com a Patricia na porta da casa dela. Depois de tanto tempo ele entrou no meu sonho essa noite. Como assim? Depois de tanto tempo. Tanto, tanto. Não entendi quando acordei. Aí lembrei do aniversário. Deve ser isso.

Arquivado em: sei lá — Juliana Gola @ 1:54 pm

frio. frio. frio.

merda.

Agosto 12, 2008

O verde

Arquivado em: Insanidades — Juliana Gola @ 4:10 pm

tem um jeito lindo de ver as coisas. e junto com esse jeito tem um outro difícil de encarar tudo isso. porque não deixa de ser bonito e leve e feliz. mas ao mesmo tempo sempre é é é

eu nunca sei dizer.

pra que tentar também?

adianto que não é mais complicado de entender ou aceitar. e aceitar. tem a sensibilidade que toma lugar da inteligência quase sempre. sempre. e tem a vontade de não ter mais vontades quando isto está intrínseco no existir, no meu ser. a vontade. e não a vontade de não ter vontades. mas ao mesmo tempo, sempre ao mesmo tempo, tem a calma que o entender tenta passar. e não digo que não consegue. tem a paz em algum lugar. tem sim. e o choro às vezes silencioso. sem escândalos de criança. ou de amor. a lágrima quente que não esquenta o corpo, não expulsa a vontade, não, não e não. mas não sabe mais como é. o que é. quem é. pra que é. é? não sabe porque tem um buraco no meio. e não por fechar os olhos ou tentar mentir ou esconder. simplesmente não sabe. como se não saber fosse simples.

e:

o verde de tudo isso.

Agosto 11, 2008

Arquivado em: Desabafo — Juliana Gola @ 2:32 pm

Há uma distância gigantesca entre o que acreditamos que somos e o que os outros enxergam na gente.

Enorme. Gigante. Absurda.

Agosto 8, 2008

A mesma Ana.

Arquivado em: Historietas — Juliana Gola @ 9:19 pm

A Ana ficou presa. São cordas, arames farpados, um metal apertando de cada lado, prendendo, puxando, chamando para o meio, depois para os lados. Ana parece uma barata tonta. Circula pelo mesmo lugar, vai pra frente, volta, vai de novo, pende para um lado, depois para o outro e não consegue sair disso. Desordenadamente, variando, de fato, mas sem sair do mesmo caminho. Que não é um caminho. Porque anda para depois voltar. O que quer dizer que não anda. Só gasta sola de sapato e corre o relógio. Os dias passam vencidos pelas horas, mas ela não passa. Não consegue seguir lá pra frente. Pra frente é que se anda, dizem por aí. Porque o passado deve virar lembrança. Para se lembrar, entende? Ana não entende. Ou não consegue captar a intenção de se viver se for apenas para lembrar, virar retrato na parede, palavras em um livro, sonhos quando dorme. Ana ficou presa. Estagnada, apesar dos movimentos voluntários. Ana escolhe andar, correr, pular vários quadrados do tabuleiro. Mas Ana não pode. Ana é incapaz. Força os movimentos e o centro a puxa. Força os sorrisos e a memória a puxa. Força cada respiração que dá com força quando fecha os olhos e abre rapidamente quando uma lembrança vem com toda força. Fecha os olhos e abre rapidamente focando em outro assunto qualquer. A menina do outro lado da rua tomando a maior chuva e rindo sozinha. Distrai-se. E o pensamento logo vai embora. Nunca em definitivo, já sabe, mas por alguns segundos. Logo terá que atender telefones, calcular gastos, escrever emails, sentar na frente do computador e esquecer que espera uma reviravolta nessa história toda. Porque a conversa que teve ontem quis dizer alguma coisa. Ana odeia incógnitas. Ana ama.

C.L.

Arquivado em: Livros — Juliana Gola @ 7:16 pm

A solução para esse absurdo que se chama “eu existo”, a solução é amar um outro ser que, este, nós compreendemos que exista.

C.L. uma aprendizagem ou o livro dos prazeres. p.169

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